Todo sentimento um dia acaba

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Passei 20 anos da minha vida querendo um namorado. Eu tinha certeza que a qualquer momento, na situação mais improvável, eu conheceria alguém a quem eu fosse amar muito e que me amaria com a mesma intensidade de volta. Acreditava em destino, em cada um crescendo de um jeito e se encontrando da mesma forma. Era ansiosa para descobrir quando se daria esse encontro. Morria de medo de não acontecer.

No meio disso tudo, já troquei sinceros “eu te amo” e me apaixonei de doer a alma. Mais de uma vez. A cada nova chance, um pouco menos de coragem. À cada novo carinho, um pouco menos de entrega. Doía demais não dar certo. Perdi a coragem de tentar.

Eu tinha 17 anos da última vez que chorei por alguém. Desde então, nunca mais tive as pernas bambas, o coração disparado e a mão suada por qualquer rapaz que cruzasse meu caminho. Deixei de chorar por não ter dado certo, passei a chorar por não ter mais oportunidades.

Era um choro desesperado. Não podia beber que meu coração se desmanchava em lágrimas aflitas pelo amor sincero. Lágrimas que temiam não encontrar quem as secasse. Enquanto chorava, fugia. Ia embora sem me despedir, não trocava telefone, não contava o Facebook. Queria desesperadamente encontrar alguém, mas não permitia que me encontrassem.

Não sou mais assim. Perdi o tesão pelo amor. Sei que ele existe, o vejo escarrado da forma mais sincera na vida de pessoas próximas, mas percebi que ele não é para mim. Não adianta querer o que não te quer. Não adianta reclamar ao que não se importa. E o amor – que tanto defendo, que tanto admiro – não se importa comigo. Então, ele também não me interessa.

Tentei buscar, nas canções que me abalam, um pouco de sensibilidade. Mas esta está restrita à musicalidade da minha alma. Não sei nem mais escrever sobre como é gostar de alguém. Perdi a memória. A criatividade foi embora junto. O que me liberta: o mundo é grande, tenho muito sobre o que escrever.

Entretanto, perceber que agora assim o sou, me doeu de certa forma. Não mais tenho a doçura de quem sonha e espera. Só me interesso por caras com os quais não tenho a menor chance de me envolver. Continuo fugindo talvez, mas de algo que não corre atrás de mim. Aos 5 anos – e aos 9, e aos 14, e aos 17 – não ficaria feliz em saber que me tornaria essa pessoa. Não gosto da ideia de estar me decepcionando. Não é fácil ter perdido o calor intenso que por tanto tempo brilhou em meu peito.

Desapaixonar-se pelo amor, dói tanto quanto o fim de qualquer paixão. Ser indiferente a ele, também machuca um pouquinho. É que nunca me agradou saber que as coisas passam, que os sentimentos não são eternos. Sempre preferi o para sempre. Sinto um vazio ao pensar que tudo é em vão. Assim como me esvazio toda vez que me lembro que a vida não é eterna.

Sentir é complicado. Deixar de sentir, também.

Créditos do post: Para  Ver se Cola

Beijos,

Maiara Amaro

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Meus Erros

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Nem sempre eu sei pedir desculpas. É que tenho um lado orgulhoso que me enreda e me deixa meio atrapalhada. Nem sempre sei dizer as coisas certas. É que às vezes fico paralisada e com medo de colocar tudo a perder. Logo eu, que gosto tanto de ganhar. Nem sempre sei ser adulta. É que, como eu já disse, não sei perder. Quero tudo para agora, pois daqui a cinco minutos não sei para onde a vida vai nos levar. E isso me assusta.

Sei que nem tudo pode ser do meu jeito, mas insisto em não aceitar as coisas. É claro que existem muitas formas certas, mas sempre acho que a minha é melhor e isso me desgasta. Deveria aceitar as pessoas como elas são, mas sempre espero demais, tenho expectativas, tenho aquela esperança boba de que algo mude com meu toque mágico. Mas não tiro coelho da cartola, pois nem cartola tenho.

Preciso parar de querer que tudo seja como eu quero. Frase estranha, eu sei. Mas vivo querendo que tudo seja como eu imaginei e as situações muitas vezes me dão rasteira, me estatelo no chão e fico sem saber o que fazer com meus pedaços feridos.

Esperar não é pra mim. Se eu preciso de uma coisa é para agora, não adianta ser depois. E se você não entende isso, tudo bem, deixa que eu faço e depois jogo na sua cara que fiz. É que tenho essa mania feia de jogar na cara do outro.

Ninguém é massinha de modelar. Não posso te amassar, te moldar, te arrumar da forma que quero. Você é como é, eu sou como sou e podemos nos aceitar assim ou não. A escolha é só nossa. O problema é que sempre achamos que podemos tudo, mas não podemos nada. As coisas são dessa forma, você aceita se quer. Uma pessoa só muda se quer, se tem vontade, se faz esforço. Eu não tenho poderes para mudar ninguém, mal consigo ajustar o que anda desajustado em mim. O dia que todo mundo entender isso vai ser mais fácil viver a dois, a três, a quatro, a mil.

Quem escreveu o texto? Clarissa Corrêa. Ela escreve crônicas, contos, receitas, bilhetes, cartas, cartões, títulos, textos e, se bobear, até bula de remédio. É redatora publicitária e autora dos livros ‘Um Pouco do Resto’, ‘O Amor é Poá’ e ‘Para todos os Amores Errados’.Quer saber mais? Acompanhe @clariscorrea e www.clarissacorrea.com.

Beijos,

Maiara

Love Ever After

Após a morte de seu avô, Lauren Fleishman encontrou uma série de cartas de amor que ele havia escrito para sua avó em um livro, próximo a cama. Estavam casados há mais de 50 anos. Sabemos que viver ao lado de alguém não é nada fácil, ainda mais por tanto tempo. Isso é o que torna fantástico ver casais que etão juntos há muitos anos. Depois do episódio, Lauren resolveu dar início ao seu projeto “Love Ever After”, que reúne fotografias, gravações e textos de casais nova-iorquinos que, assim como seus avós, estão juntos há mais de 50 anos. Segue abaixo um ‘Spoiler’ do trabalho de Fleishman.

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Pouco a pouco a gente vai envelhecendo, mas nada muda em nossos corações. O amor se fortalece. É assim que eu sinto. E acho que ele sente o mesmo. Sim, ele foi meu primeiro amor. Meu primeiro e último amor. (Leila Ramos, Brooklyn.)

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Agora eu vou fazer 88 anos. Minha esposa tem 85 anos, e eu só espero viver mais uns 5 ou 6 anos de vida. Isso é tudo o que queremos. A gente não quer viver muito mais. Na verdade, eu sempre disse para minha mulher que eu queria chegar nos 94. É a meta da minha existência. Eu adoraria ver meu neto trabalhando e minha neta se casando. A gente quer que eles sejam tão felizes quanto nós fomos. (Moses Rubenstein,  Brooklyn)

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A gente se conheceu antes da guerra, mas nunca havíamos nos falado. Ele estava com outras mulheres, porque ele era muito, muito mais velho do que eu. E ele era muito bonito! Era mais alto e era dono de um lugar onde fazia ternos. Quando voltamos da guerra ele foi à casa da minha irmã, e eu estava passando um tempo com ela. Em agosto, faremos 63 anos de casados. Posso dizer que o amor veio pouco a pouco, não de uma vez só. Éramos jovens e ele era muito mais velho do que eu, mas eu gostava dele. Ele falava comigo de um jeito muito agradável.(Golda Pollac,  Brooklyn)

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Qual o segredo do amor? Um segredo é um segredo, e eu não revelo meus segredos! (Ykov Shapirshteyn, Brighton Beach, Brooklyn.)

Se quiser saber mais sobre o projeto, visitem o Site. Por lá você encontra mais histórias que, devo admitir, são encantadoras. Olhando assim dá até vontade de… Enfim  muito boa essa ideia  Eu adorei, e você?

Beijos,

Maiara