Sobre o prazer de ler você

livro

Naquele café da esquina, de frente pra tua figura esperançosa, poderia ter dito mais do que palavras de inverno, encolhidas de frieza e tremidas dando a luz a frases sem sentido. Mas esse meu não querer, ainda é bem querer. Só não é mais desejar. Assim como aquele livro caro na prateleira da loja, eu te devorei ali mesmo enquanto não podia e no final da tarde não te levei pra casa. Sem frustrações, de certo o li e o decifrei sem gastar nenhum centavo, daí então virei a última página e me retirei da loja satisfeita com a leitura, mas sem vontade de voltar.  Naquela mesma prateleira, ou em outra contendo livros baratos, certo dia me encantei com um que eu pude comprar. O barato eu levei e não li até o final. Parei no sétimo capitulo dos dez, porque certas histórias são melhores quando não terminam e deixam margem para que criemos sozinhos o que antecede o ponto final. Não tenho voltado na livraria, nem tenho relido livros antigos. Apenas me privei da leitura um pouco, como alguém que dá um tempo com um amor antigo. De fato, voltarei aos livros. Dessa vez talvez eu esqueça os dramas e volte meu olhar para comédias e romances de final feliz. E na prateleira da loja alguém há de pagar pelo livro que aproveitei sem comprar.

Quem escreveu o texto? Elba Cynthia, do blog UmBeijoUmQueijo.